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8 de abril de 2014

Bla bla bla #3 - O tal Dia do Jornalista


Ontem foi o dia do jornalista. Dia esse em que vi inúmeros professores demonstrando seu amor pela profissão, vários colegas da faculdade compartilhando imagens e falando sobre como aquele vinha sendo seu sonho e estava perto de se realizar. Parei pra pensar. Meu sonho nunca foi esse.

Não me entenda mal, mas eu nunca sonhei em ser jornalista. Nunca olhei pra TV e me vi ali, nunca roí as unhas aguardando o dia de ver meu nome assinando uma matéria no jornal e, muito menos, nunca quis que meus pais gravassem minha voz no rádio. Meu sonho sempre esteve bem longe disso, talvez fosse o sonho americano da casa bonitinha, com jardim e 2 filhos e um marido. Talvez não.

Eu só sei que nunca quis ser jornalista e caí nessa profissão no meio de um jogo de prós e contras com duas amigas sobre qual profissão seguir, algumas semanas antes de fazer a inscrição para a UERJ. Daí aconteceu. Jornalismo. Depois de várias redações com notas boas, depois de ser sempre “a bem informada”, de ser “a garota que gosta de ler e escreve textos bons” –segundo as pessoas!-... Como eu nunca tinha visto isso?

A ideia foi tomando forma na minha cabeça. Meu pai achou que tinha tudo mesmo a ver comigo, minha mãe começou a sonhar em me ver na TV, as pessoas começaram a dizer que iam me ver na bancada do Jornal Nacional. Era engraçado. E, no fim do ano, não passei para nenhuma. Tentei no ano seguinte, de novo, me dedicando só aquilo. Passei! Perdi a data. Chorei para a coordenadora, meu pai também. Nada feito. Silêncio no carro, muitas lágrimas e frustrações.

Minha mãe sugeriu a faculdade particular, meu pai não gostou, eu aceitei. Entrei com certo preconceito, com a ideia de que não sairia devidamente formada como jornalista de lá. De que – o que agora era meu sonho – não seria tão fiel ao que eu queria enquanto imaginava. Hoje, eu estou realizando um sonho.

Está quase no fim. 7º período, muitos trabalhos, dores de cabeça constantes e uma quantidade de risadas infinitas, essas que muitas vezes se misturaram ao choro da incerteza. Porque não basta você entrar, lá dentro, as dúvidas só aumentam. As teorias da Comunicação, o Marketing, a História da comunicação. Tudo te faz pensar: “Eu não fui feita para isso!” Estatística então? Por favor, eu sou de Humanas!

Mas cada vez que ponho os pés nas escadinhas da faculdade me sinto bem. Cada dia me sinto mais próxima a um sonho que será realizado e também mais insegura quanto ao que vem depois, com medo do futuro e extremamente ansiosa para desvendá-lo e ver que ainda tem algo mais a frente, que me dará ainda mais medo e ansiedade.

Eu ainda não sei se estarei na bancada do JN, se vou ter uma matéria de capa ou se vou escrever o horóscopo do dia, talvez eu seja a vozinha divertida do rádio que vai te acordar, porque estarei na redação desde as 5h, preparando tudo pra você! Talvez eu esteja do lado do artista badalado ou do jogador de futebol, dizendo tudo que ele pode falar e o que não pode, talvez você me xingue no futuro pela minha opinião contrária. Talvez eu esteja em uma pequena empresa em Curitiba, gerenciando a parte de comunicação.

Mas... Talvez... Eu esteja servindo café na minha própria cafeteria charmosa, estilo anos 20 ou 50, com prateleiras e prateleiras de livros... Afinal, este era meu sonho desde o início.

27 de janeiro de 2014

Blá blá bla #2 - O que é ser Normal?

Fonte: Wehearit
Ninguém nunca está satisfeito com nada. Não importa o quanto você se esforce para se encontrar em um grupo, se você tem algo que te destoa, dificilmente será aceito. A internet está cheia de exemplos disso... A clássica gordinha que se esconde, fica por lá mesmo. A gordinha que se mostra e diz “Sou gostosa” só recebe um: “Não, você é gorda”. A magra vira a anoréxica, e assim por diante.

O que é normal para mim, é algo absurdo para você e vice-versa. Meu cabelo cor-de-rosa vai chocar a tia velha, mas vai parecer coisa de “poserquerendoaparecer” para aquele cara tatuado e cheio de piercings. Meu jeito tímido vai afastar possíveis amigos e atrair aqueles que querem um alvo fácil para falar bobagens. Não tente ser normal, pois isso é relativo.

Você sabia que na Etiópia e no Sudão, aqueles discos postos nos lábios perfurados das mulheres são um reflexo de beleza? Lá, a retirada dos dentes de trás também é fascinante. Em Papua-Nova Guiné, usar um osso retirado da perna de um porco que você, leitor gatinho que fica na internet o dia todo, caçou agrega muito valor, tá? E finalmente, os cabelos... Ah! Os cabelos... Na Namíbia, as mulheres passam manteiga misturada com pastas naturais no cabelo, dando um tom avermelhado e formando algo que parecem dreads.

O que? Estranhou? Isso é ser normal para eles. Mais que isso: isso é BONITO. Qual o sentido então de julgar alguém pela sua aparência? Pelo que usa? Pelo que faz com o próprio corpo, se você nunca –NUNCA- satisfará todos?

Satisfaça a si mesmo, tenha seu diferencial! Escute só quem paga suas contas... É você mesmo? Então, meu amor, se jogue! Se você sempre sonhou em ter um moicano azul metálico... A tinta não é cara! Se pensa que a tatuagem de unicórnio vai ferir sua masculinidade... Bom, eu mesma irei te zoar, mas se você gosta, é isso o que importa!

Acho que é essa última frase que define tudo... Se você gosta, é isso que importa. Não há sentido em só pensar nos outros... Haja segundo seus instintos, seja impulsivo(a). (MAS PERA, PERA. Se você quer entrar para as forças armadas ou trabalhar com algo que qualquer mudança radical seja repulsiva... Bom, melhor esquecer o que você acabou de ler. Eca, odeio ter que dizer isso.)

Esteja dentro dos seus limites e, neles, faça o que bem entender. Se importando o tempo todo com o que os outros vão pensar, você será para sempre a mesma pessoa, sem surpreender a si mesmo. Mudar faz bem, seja algo pequeno ou grande, mudanças são boas para a mente, para o coração. Para você saber qual o seu caminho e seu destino no mundo. Mudanças são necessárias, não seja normal, seja só você.

15 de outubro de 2013

Blábláblá - Aqueles que escrevem fácil

Eu faço jornalismo e sou apaixonada pela profissão. Sim, eu sei que em breve eu terei que dar adeus aos feriados, aniversários, finais de semana e -ó Deus- passar o Natal dentro de uma redação, esperando alguma coisa importante acontecer. Então, é o seguinte. Eu queria mostrar um pouquinho esse lado e apresentar um pouco do que eu faço. A Blábláblá será uma coluna para postar aquilo que eu gosto de fazer: Escrever. Eu já tinha postado dois textos aqui antes, mas agora é oficial, agora é uma coluna! ~Fogos de artifício colorindo a página~
Então, lá vai! Espero que tenha paciência para ler tudo!


Você está lá, naquele ônibus apertado, às 17h30, e vê aquela pessoa que não para mais de escrever no celular. “Claro”, você vai pensar, “está no Facebook, maldita rede social, ou mandando mensagem de texto”. Mas não caro amigo, você pode estar de cara com a rara espécie daqueles que escrevem com facilidade.

Tem gente que começa a escrever e não para mais, a criatividade rola solta e o papel falta. Vai escrevendo pelo cantinho, vira a página, usa setinha e asterisco. É aquele tipo de gente que se inspira com qualquer coisa que vê na rua e, num guardanapo, no bloco de notas do celular ou até mesmo - Porque esse tipo de pecado Deus perdoa – na última página de um livro, sai rabiscando aquilo que para nós -ou pelo menos para mim- é algo incrível. Começa aquele texto engraçado, natural e leve que te tira risadas ou reflexões, daquelas bem profundas.

Você não encontra essa espécie em qualquer lugar, eles são difíceis de achar. Ou melhor, eles podem até estar por todo o lado, mas deixam para usar toda sua genialidade em casa, relaxando, sem a pressão dos olhares curiosos. Eles veem algo num jantar de família e isso já rende textos hilários, depois voltam para casa no trânsito - e que ótimo lugar para se inspirar! -, começam a fazer anotações, que logo se transformarão em algo lido por muitos e que será admirado.

Eduardo era um desses que escrevia como ninguém, ele ficava calado, só observando a movimentação das pessoas e criando tudo que falaria para complementar a crônica genial que ele escreveria logo, logo. Não era dos que se gabava do dom, era um dos típicos: mantinha um blog na internet, com diversas visualizações e sem revelar a sua identidade. Afinal, não queria ninguém "exigindo" temas para as suas próximas crônicas. Malditos fãs.
Até que ele conheceu Julia, uma aspirante a desenhista. Julia desenhava pessoas e paisagens com uma facilidade que faria inveja a muitos. E fez. Fez inveja a Eduardo. Seu dom de escrever sempre fora suficiente, mas nada como os traços de Julia! 

- Como você faz isso? - Ele perguntou um dia.
- Não sei... Só sai. - Julia, sempre tímida, respondeu, enquanto voltava a desenhar o rosto de Eduardo. - Agora fica quieto de novo, você fala tanto quanto escreve. -

Ele suspirou e fez que sim, voltando a observar enquanto ela desenhava. Então percebeu que era como ele, não importava o quanto os outros tentassem e pedissem, ela desenharia tudo o que queria bem, mas nada mandado. Julia e Eduardo. Eduardo e Julia. Cada um com seu dom, eram amigos e tentavam ao máximo passar um pouco do que podiam ao outro.

Anos se passaram, como era de se esperar, Julia e Eduardo se transformaram em Ju e Edu, um pertencendo ao outro. De mãos dadas, Eduardo pegou a mão de Julia e desenhou um anel no seu dedo anelar.
- Casa comigo? - O escritor perguntou, enquanto olhava aquele anel tão mal feito no dedo da desenhista. Ela riu e nada disse. Roubou a caneta da mão dele e, com a mão trêmula como nunca tinha ficado, escreveu na palma do escritor: Sim.

Um sim tremido. Como sempre seriam suas escritas e os desenhos de Eduardo.

13 de maio de 2013

Desventuras de uma Míope


Eu tinha uma visão perfeita. Daquelas que a avó pede para colocar a linha na agulha, e não me demorava nem 5 segundos, daquelas que a mãe falava “bemzadeus”, quando lia aquele cartaz longe, que ela nem entendia nada. Até que eu comecei a ler. Eu sabia que uma hora ia acontecer comigo, minha mãe sempre amou ler e meu pai também. Minha avó amava estudar línguas, e claro, eu não ia escapar do mesmo destino. Então me viciei na leitura e... Estou dando adeus a uma boa visão.

Eu lia com luz do celular, nas madrugadas antes de ir para escola, e sempre levava esporros. Depois, meu pai instalou uma luminária, que não ajudava muito, pois minha vista continuava sendo forçada, e cada dia mais, a visão que inicialmente só ficava cansada, foi ficando turva e sem cor. O problema era: Eu enxergava mal de longe, e quando chegava ao médico, ele dizia que a distância era normal, que eu não precisava de óculos... E lá estava eu, sem óculos, perdendo mil ônibus por causa do maldito oftalmologista. E não foi só um.

“Ah, esse grau é bem baixo, não é necessário óculos!”, eles diziam. Até essa semana, onde, não importa o que eles digam na próxima consulta, EU TENHO QUE USAR ÓCULOS. Passei direto por três pessoas que conheço. E não eram pessoas que eu vejo vez ou outra...

Lá estava eu, no ônibus, só reparando que aquele garoto descarado não parava de me encarar –e eu odeio que me encarem!-, amarrei a cara, me levantei para saltar e me assustei quando o “garoto descarado” segurou meu braço, pronta para dar um ataque, me virei e vi que, na verdade, era um dos meus melhores amigos no ensino médio, e que não tinha conseguido chegar até minha cadeira para falar comigo.

Naquele mesmo dia a noite, estava voltando pra casa quando vejo alguém correndo atrás de mim. Se eu senti medo? Só quase tive uma síncope mas... Era uma amiga que não via há muito tempo. –Fernanda! Tô acenando pra você e te chamando, me viu não? – Sinceramente? Não, não vi. Por quê? Porque estou ficando cega, só pode!

Dependendo dos outros, esperando que alguém pegue o mesmo ônibus que eu, para que eu não tenha que fazer sinal quando ele estiver muito perto. E, se o ponto estiver vazio, ter que fizer decifrando o “formato” das letra e ver se aquele lá é o meu mesmo. Ter que forçar a vista até não dar mais para ler uma placa. Ser enganada pelos malditos “a partir de tanto” nas placas das lojas, que sempre são pequenos demais para meus olhinhos míopes.

Eu acredito que vou conseguir um dia fazer meu exame e finalmente encontrar o oftalmologista que vai dizer “Sim, você precisa de óculos.” E eu vou poder parar de pegar os óculos dos outros para enxergar aquilo que está longe demais para mim e perfeitamente visível pelos outros.

Torçam por mim.